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86 ANOS TRABALHANDO PARA DIMINUIR DIFERENÇAS

1933/2019


FUNDAÇÃO 


Em 22 de abril de 1933, foi fundada oficialmente a “Liga Campineira dos Cegos Trabalhadores”. Movidos pelo ideal de tornarem-se úteis à sociedade e pela necessidade de ganharem condignamente a sua vida é que os cegos de Campinas, à imitação dos demais centros civilizados, resolveram agremiar-se em Sociedade que lhes dirigisse e protegesse o trabalho e só uma sociedade juridicamente constituída, resolveria a situação dos cegos.


A iniciativa coube a um pequeno grupo de pessoas formado inclusive por professores cegos:


Dante Egrégio

Mário Chaves

Geraldo dos Santos Hummel

Benedito dos Santos Vieira

Avelino de Campos

Domingos Zampini

Arthur Fonseca

Nicola Paceli

João Virgineli

Constâncio Gomes

Foi no dia 27 de maio de 1933, na antiga sede do jornal “ Correio Popular”, que se realizou a primeira reunião da Liga, e tomou posse a diretoria aclamada, conforme ATA Nº 1, extraída ipsis literis:


Presidente: Dr. Romeu Tórtima

Secretário : Dr. Joaquim de Castro Tibiriçá

Tesoureiro: Dr. Adhemar Ribeiro.

A ideia ecoou na imprensa local. Do Sr. Prefeito Municipal, a Comissão Organizadora formada pelos cegos Sr. Geraldo dos Santos Hummel, Prof. Mário Chaves e Dante Egrégio, e ainda o Prof. Benedito dos Santos Vieira, obteve a promessa de arranjar um prédio para que fossem instalados o abrigo, oficinas e escola. O público aplaudiu a ideia, mandando incluir seus nomes no quadro social, que de início contou com a soma de 400 associados.


Para as despesas iniciais de instalação, a Comissão organizou um festival no salão nobre do Clube Semanal de Cultura Artística. Em agradecimento ao apoio dispensado foram concedidos os títulos de sócios honorários iniciadores do “Correio Popular” e “Diário do Povo”, de sócio patrono da causa dos Cegos ao Dr. Alberto Cerqueira Lima e de sócio benemérito ao Sr. Adhemar Ribeiro.


SEDE E PRIMEIRAS ATIVIDADES 


A Prefeitura Municipal cedeu um imóvel para a sociedade instalar-se, na Rua Regente Feijáo, nº 95.


O nome Instituto Campineiro dos Cegos Trabalhadores foi adotado em 14 de julho de 1934, com a sigla ICCT. 


As primeiras atividades da instituição foram o ensino de Braille, solfejo e piano e produção de escovas, vassouras e espanadores. Os cegos podiam morar no Instituto.


Em 1937, a sede mudou para a Rua Cônigo Cipião, 78. Alguns anos depois foi comprada a primeira sede própria, na Rua Ferreira Penteado 1212, onde permaneceu até a mudança definitiva para a atual sede, na Av. Washington Luis, 570, local onde foi construído prédio para as finalidades necessárias ao instituto.


SEDE EM IMÓVEL PRÓPRIO – ATUAL ENDEREÇO 


A sede própria foi viável graças ao legado da benemérita Dona Risoleta Ferreira Jorge, que faleceu em 1948, deixando para o instituto parte da chácara de sua propriedade, uma área de 19.700 m² de terreno, com objetivo específico para atividades ligadas aos deficientes visuais. A obra da construção teve início em 1951, com recursos arrecadados e guardados por 10 anos.


Do Livro de Ouro Para Construção de Sua Nova Sede, datado de 16 de março de 1951, que está no arquivo da instituição, consta a seguinte frase:


“ O sonho de hoje será- e Deus o permitirá – a realidade magnífica de amanhã.


Deus guarde os que veem as maravilhas deste mundo e ajudam os seus semelhantes que vivem na eterna e sofredora noite dos tempos.”


Consta também no livro, grandes campineiros beneméritos, iniciando com o então presidente Silvino de Godoy.


Em 21/04/1954 foi inaugurada a nova sede, com total de 2028 m² de construção, com dependências para as oficinas, salas de aulas, salão nobre, departamento administrativo, biblioteca, cozinha, refeitório e dormitórios com capacidade para albergar 38 cegos.


Centenas de pessoas contribuíram, mas mérito especial teve o presidente do Instituto dessa época, o jornalista Sylvino de Godoy, que esteve na presidência por 16 anos.


Nessa altura, o Instituto tornou-se um modelo para todo o Brasil e até para outros países, tendo vindo da Argentina solicitações para envio de cópia de seus estatutos.

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